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quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Escrevendo Corporação Gaia VII - Um diálogo para refletir...

Prezados,

Corporação Gaia continua e após vários acréscimos, serão 42 capítulos (Mancha Neural teve 19)... Mas já que é o fim, ele merece acabar com estilo, não? Sem pontas soltas e com um ponto final para Mickey, Minnie e Natasha...




O diálogo abaixo forçou a existência de um flashback um tanto triste da Natasha, mas acredito que foi totalmente... humano

...

– Não... eu quero dizer... que – se enrolou Natasha, percebendo que o assunto não tinha sido bem escolhido – Não podemos condenar quem não tem intenção ou desejo de matar... se for assim, todo policial ou soldado é apenas um assassino.

– Seu pensamento é muito superficial, Natasha... deixa pra lá...

– Superficial? – perguntou ela, ofendida – O que você pode saber sobre isso?

– Os soldados nazistas usaram o argumento de que "estavam apenas seguindo ordens" e isso não os torna menos assassinos... você confiaria em ficar ao lado de um desses assassinos? – perguntou ele com convicção.

Natasha respirou fundo e se encostou em sua poltrona ao mesmo tempo em que suspirava... logo em seguida acenou para a aeromoça e pediu um café forte e sem açúcar, que chegou rapidamente e foi prontamente engolido. O silêncio dela após a frase de Mickey durou um bom tempo, até que ele perguntou:

– O que houve? Eu te ofendi de alguma forma? Se sim, eu nem notei, desculpe...

– Não... é só que... as vezes eu me esqueço do tamanho do abismo que nos separa, digo, que separa nossos valores... mas tudo bem, a culpa é minha por tocar em um assunto delicado...

– Eu não entendi, Natasha... sinceramente, não entendi o que você falou agora...

– Bom, vou te contar uma história... quem sabe, ao final dela, você entenda qual é o abismo e qual o tamanho dele – respondeu ela, se virando para ele.

– Sou todo ouvidos...

– Imagine que havia uma mulher, que queria muito, na realidade, que precisava entrar na KGB... e ela se alistou em um treinamento intensivo de um ano, sofrendo todas as humilhações e agruras possíveis que uma mulher pode sofrer em um exército majoritariamente formado por homens.

– Entendi...

– Apesar dos problemas e humilhações, ela continuou... dormiu em pântanos, comeu ratos, apanhou por qualquer descuido na vestimenta, foi jogada em lagos congelados de uniforme, só para ter que tirar a roupa na frente de todos para secar na fogueira, foi assediada, teve que conquistar sua posição batendo pouco e apanhando muito... mas essa mulher, continuou, pois só importava chegar no final.

– Até que após um ano, ela estava quase se formando nesta turma, a apenas um passo de entrar na KGB, bastando para isso, completar uma última missão, a que eles chamavam de "missão de batismo". E lá foi a mulher com seu superior direto, para receber sua última missão, como um bom soldado. Entendido até aqui? – perguntou ela, olhando direto nos olhos dele.

– Sim... até aqui, foi uma história interessante... mas o que significa?

– Você vai entender... quando chegou no local de sua ultima missão, o superior lhe informou que a mulher teria que invadir uma casa e matar uma família inteira, pois o marido era um "subversivo", e todo e qualquer inocente que estivesse lá dentro – disse Natasha, respirando fundo e suspirando de novo.

Mickey não respondeu, mas arregalou um pouco os olhos.

– Bom, a mulher não queria matar ninguém, muito menos uma família com crianças... mas vamos as alternativas... ela entra na casa, mata a família "seguindo ordens" como você disse, o que não a torna menos assassina... ou... desobedece a uma ordem direta, apenas para outro vir matar a família no seu lugar e ela... ela – Natasha engoliu seco e parou de falar por um instante.

– E ela, como punição, seria enviada para um campo de trabalhos forçados, um Gulag na Sibéria, por dez anos... onde... veja só, por não ter força para realizar o trabalho, que basicamente era minerar carvão com as mãos, teria que se prostituir em troca de comida...

Mickey não conseguiu falar nada.

– Então Mickey, como meu pensamento é superficial, me diga, qual é a melhor atitude para esta mulher? Matar ou se prostituir por comida durante dez anos, sendo que a família morreria de qualquer forma na semana seguinte. Então, qual a melhor decisão? – Insistiu ela, olhando para ele.

– Natasha... eu... eu não sei... o contexto é muito complexo...

– Bom, imagine... apenas imagine, que esta mulher decidiu cumprir sua missão... ela matou vários inocentes, crianças inclusive, apenas "cumprindo ordens", o que não a torna menos assassina... por favor, responda com sinceridade, você... você confiaria em dormir no mesmo quarto, ao lado de uma dessas assassinas? – perguntou ela com um olhar triste, repetindo a mesma questão dele.

Mickey demorou para conseguir responder, pois toda e qualquer frase que ele pensava, só iria piorar seu comentário anterior... mas ele não poderia fugir para sempre, então preferiu o caminho mais simples...

– Natasha, desculpe ter trazido lembranças dolorosas, não foi minha...

– Lembranças? – disse ela, surpresa – Não, claro que não... eu não disse que eu era esta mulher, só estou exemplificando... para provar meu ponto de vista...

– Ah, que alívio... mas eu não sei a reposta sobre o que fazer... qual o seu ponto de vista?

– Que você, senhor Mickey, vive em um conto de fadas, em uma cidadezinha de interior, onde tudo é lindo e perfeito... que o senhor não está pronto para o mundo real onde eu vivo, onde como no Yin Yang, nada é totalmente branco ou completamente preto, onde a maioria das coisas acontece em uma escala de cinza, onde as pessoas tomam decisões que afetam sua vida em definitivo a cada dia, onde a moral é relativa e qualquer generalização é estúpida.

...

domingo, 2 de agosto de 2020

Escrevendo Corporação Gaia VI - Cartaz de Lançamento... OU... e se fosse um mangá Disney / Humano?

Prezados amigos,

Seguindo a idéia dos personagens humanizados, eu terminei o cartaz que anunciaria o livro caso fosse um mangá... Vamos a apresentação e em seguida a sinopse...



Sentado no sofá está o contratante de Natasha e Mickey segurando uma mão... a esquerda dele, quem joga as cartas e fichas, é o líder de uma célula da Irmandade de Gaia.

Nas cartas lançadas, temos o elenco, Mickey Mouse, Minnie Mouse, Natasha Bykov, Daphnée Dubois e Matthew Summers...

Nas fichas, estão Louise Badeaux, Francine Vaux e Taylor Perrins. Existem muitos outros que dão as caras na história, mas por hora, este é o grupo principal.

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Sinopse
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Após os eventos do Mancha Neural, Natasha Bykov decidiu se isolar do mundo em busca de um sentido para sua vida... já Mickey, retornou para sua cidade e sua amada, mas por algum motivo estranho, a idéia de passar o resto de seus dias em um casamento com Minnie, se tornou algo assustador.

Durante dois anos ela viajou e ele tentou se adequar... ela passou pela França, Tailândia, Nepal, Itália, Alemanha e Espanha e ele fez terapia, virou instrutor na academia de Polícia, voltou ao Judô e fugiu do casamento...

E hoje, após ser informado por Natasha que uma antiga e obscura sociedade ativista conseguiu os meios necessários para "limpar" o bioma do planeta, Mickey decidiu voltar a ação...

Mas qual será o real objetivo de quem os contratou e os informou da existência da Irmandade de Gaia? Como Minnie vai reagir ao ver o clima reprimido e negado entre Mickey e Natasha? Como a Irmandade de Gaia se relaciona a pandemia mais assassina da história da humanidade?

E qual será o fim da história para o trio Mickey, Minnie e Natasha? Eles são apenas peões em um jogo muito maior, e como todos sabem, o peão é a primeira peça a ser sacrificada...

"The Game is On" (O Jogo Começou)

domingo, 26 de julho de 2020

Escrevendo Corporação Gaia V - Humanizando o Elenco Disney

Prezados amigos,

Quem não acompanha a Gibiteca no Facebook, não sabe... mas semana passada, quando eu "ousei" representar Minnie Mouse como uma menina de mangá... branca... o pau cantou para o meu lado... não quero entrar em detalhes, mas...  basicamente eu estava "estragando a infância" dos marmanjos de 50 anos e fazendo algo errado por dizer que ela podia ser branca... até uma analogia com o tal de homem-pateta que manda crianças se matarem aconteceu, como se dando um rosto humano a um personagem Disney, fosse uma blasfêmia, heresia, crime de Lesa-Pátria, etc...

Enfim... a maioria me apoiou e a minoria desocupada me encheu o saco... normal...

Então... para ser justo e não representar apenas Minnie humanamente, eu decidi humanizar o elenco todo... Minnie, Mickey, Natasha, Daphnée, o vilão, o contratante, Taylor, Louise, Francine, Matthew... todos serão representados em um cartaz propaganda (paródia), como se o livro fosse um Mangá, mas que ainda não terminei...

Mas vejam alguns exemplos nas cartas... semana que vem posto o cartaz e finalmente revelarei o enredo, pois já tenho 30 capítulos prontos de 42 (o dobro do Mancha Neural)



Também fiz uma segunda tentativa de capa, não sei ainda qual vou usar (aceito opiniões)



E espero não estragar a infância de nenhum adulto entre 40 a 70 anos... claro que na realidade, não estou nem aí para qualquer um deles, pois a imaginação e a história são minhas... dica para eles... me bloqueiem e qdo o livro sair não leiam... será um favor...

A parte boa é que com rostos humanos, finalmente eu posso descrever com fidelidade algumas cenas mais "adultas" envolvendo os protagonistas... atração sexual entre ratos... não dá mesmo!!!!!

E espero que todos aproveitem a inédita paródia do Médico e o Monstro que foi liberada esta semana... o Brasil é o segundo país do mundo a  ter esta história disponível... e de graça... imagino que este trabalho sem fins lucrativos valha muito, então só queria saber o que este pessoal que reclama já fez ou fará pelas histórias em quadrinhos  (além de encher a minha paciência, é claro)

Abraços e boa semana a todos

Daniel

domingo, 19 de julho de 2020

Escrevendo Corporação Gaia IV - Minnie & Natasha


Uma coisa curiosa quando estou escrevendo qualquer um dos livros de Nova Patópolis, é que não consigo imaginar as cenas sem humanizar fisicamente nossos amigos... não consigo levar a sério o carinho, amor, tristeza e principalmente a atração sexual com patinhos e ratinhos fofos... então para mim ao menos, Nova Patópolis é uma realidade alternativa onde todos são humanos...

Infelizmente não tenho talento para desenhar essas humanizações, mas o desenho acima, que achei na net seria um bom exemplo de uma Minnie... bonitinha, tranquila, mas se ficar brava, sai de perto...

E agora em Corporação Gaia, temos muitas interações dela com Mickey e Natasha, sendo que com ela, Minnie desenvolve uma curiosa relação de amizade/rivalidade.

Ao fim do Mancha Neural, vemos que elas conversaram em várias ocasiões e que Minnie se sente em "dívida" com ela, dívida essa cobrada de uma forma que ainda geraria muitos conflitos no futuro.

Mas a relação é complicada, pois ao mesmo tempo em que Minnie gosta de Natasha como pessoa e até a admira pelo seu trabalho, ela nota que Mickey pensa muitas vezes na "bela agente da CIA" ou na "psicótica sem vergonha" (a definição varia de acordo com o momento).


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E como podemos ver, existe um grande ressentimento por ela invariavelmente, acabar levando Mickey para uma situação perigosa...


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– Bom, não posso negar que a idéia é interessante... você sabe que eu adoro a emoção e a adrenalina...

– E eu? Não posso ficar preocupada? Não posso detestar ver você em perigo ou machucado? – retrucou ela quase chorando.

– Sim, mas... – tentou dizer ele, sendo cortado em seguida.

– E para completar, ela voltou... trazendo a emoção para o seu colo... e ela está mais linda do que nunca... não concorda?

– É... então...

– Não disse? Vocês brigam que nem cachorro e gato, mas isso só serve para esconder a verdade... as vezes acho que vocês até querem evitar, mas não conseguem...

– Não seja paranóica Minnie. – disse ele, sem conseguir negar o quanto pensar em Natasha mexia com ele as vezes.

– PARANÓICA? – gritou ela – Você acha que não percebo o climinha e os olhares entre vocês? Isso só vai passar quando vocês... vocês... ah, quer saber? Vá pra sua aventura, faça o que quiser junto com ela E ME DEIXA EM PAZ!

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Mas quando elas se encontram, fica-se evidente que um vínculo curioso foi formado entre elas...


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– Acho que vou declinar, está ficando tarde – disse Natasha se levantando, apenas para sentir a mão de Minnie segurando seu ombro.

– Ainda não... preciso falar com você e tem que ser agora.

– Tá bom – respondeu ela se sentando de novo.

– Mickey, pode nos dar licença? É coisa de cinco minutos.

– Claro, claro... – respondeu ele se levantando e saindo apressadamente.

Natasha sentiu um leve tom de ameaça na frase, mas preferiu ignorar. Para não ser mal educada, acabou pegando uma xícara de chá.

– Erva-doce sem açúcar, espero que goste – comentou Minnie se sentando e também pegando uma.

– Está ótimo – respondeu Natasha após o primeiro gole. – Então, em que posso te ajudar?

– Considerando tudo que aconteceu quando você ficou um tempo com o MEU noivo, você vai me ajudar muito se me garantir que ele vai voltar inteiro e sem tentar me matar.

– Eu não te culpo, sabia? – disse Natasha bebendo mais chá e sendo totalmente sincera. – Há dois anos, você viu o Mickey saindo normal e voltando querendo te fazer mal... por que dessa vez seria diferente, não é?

– Sim, por que seria diferente?

– Porque dessa vez... eu não vou deixar nada acontecer com ele... eu prefiro morrer do que permitir que alguém faça mal a ele... você acredita em mim?

Minnie olhou bem nos olhos de Natasha e após alguns longos e tensos segundos, respondeu:

– Sim... devo ser uma idiota, mas acredito em você.

– Minnie... eu considero vocês tanto, mas tanto, que nunca faria nada que pudesse prejudica-los... eu estava contando os dias para ve-los de novo... sentia muitas saudades de vocês...

– Eu também... – respondeu Minnie, estendendo os braços.

Natasha não estava acostumada a receber carinho de forma tão espontânea, então demorou alguns instantes para retribuir o movimento, abraçando Minnie bem forte e sussurrando:

– Vai ficar tudo bem, eu prometo... ele vai voltar para você são e salvo...

– Obrigada... – foi a resposta, com um aperto mais forte no abraço.

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Mas que sofrerá um grande abalo após Mickey e Natasha retornarem da primeira parte da missão...


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– Agora danou – pensou Natasha, sentindo o corpo retesar.

– Não exatamente – respondeu Mickey.

Minnie que já estava trêmula, começou a suar frio. Após alguns segundos de hesitação, ela encarou o detetive e perguntou (em seu íntimo ela não queria ouvir essa resposta):

– Não... exatamente... o que, senhor Mickey? – perguntou Minnie com o corpo tremendo.

– Pessoal, eu vou lá pro carro, acho melhor vocês... – tentou falar Natasha.

– NÃO... OUSE... SAIR... DESSE... SOFÁ... – cortou Minnie, sem olhar para ela, falando alto, pausando e frisando cada palavra.

Natasha havia acabado de decidiu que se calaria, não se mexeria e tentaria não chamar a atenção para ela de novo.

Já Mickey hesitou por um instante, mas ele tinha se decidido a contar toda a verdade...

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E que juntamente com mágoas antigas e itens não resolvidos, vai colocar em perigo o tão antigo relacionamento de Mickey e Minnie...


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– Amorzinha...

– Não, você também está estranho, nem parece você e eu não consigo saber o que está passando na sua cabeça...

Após outro suspiro, ela continuou:

– Mas você parece que não entende, Mickey... você já imaginou uma coisa? E se eu recebesse uma ligação avisando que você tinha sido morto? Como eu ficaria?

– Eu entendo...

– Não, não entende... você não faz idéia de tudo que eu já passei e passo para manter nosso relacionamento, eu não te falo, tento ser forte... na verdade finjo ser forte, mas não mais...

– Como assim?

– Como você acha que eu fiquei após sua ida a Anderville? Mais de um ano... ouvindo piadinhas das pessoas, indiretas que você já tinha uma mulher lá, que não voltaria... e eu só ouvindo, ouvindo, até que você enviou uma foto de uma festa, de braços dados com sua amiga Patty Ballestreros... o que eu senti?

– Mas não houve nada...

– Sim, mas o que eu senti? Diga-me... o que eu senti?

– Eu não sei...

– Exatamente... nem imagina... quantas festas eu recusei, quantas noites eu deixei de sair, pois ficava imaginando que você estava sozinho, acuado... e você passeava com ela... o que eu senti?

– Eu nunca imaginei...

– Claro que não... e como poderia? Eu não reclamava, fingia que estava tudo bem... tudo para manter o sonho do nosso casamento, aquele que você nunca quer, e quando falo alguma coisa você sempre muda de assunto... e pensar que eu vivi para ouvir um assassino dizer que é errado não termos casado... que você me enrola... e ele tem razão... é inacreditável.

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domingo, 12 de julho de 2020

Escrevendo Corporação Gaia III - Pesquisa & Leitura


Um leitor me perguntou sobre minha rotina como escritor independente e qual seria a sequência mais ou menos lógica que seria necessária para desenvolver um bom enredo.



Acredito que cada um possa desenvolver a sua rotina e a sua forma, mas penso que para existir qualidade no resultado final, alguns itens são essenciais, e na realidade, por mais que pareça contraditório, o mais trabalhoso é o mais interessante.

Primeiro, não creio que alguém que não leia muito, consiga escrever... um bom conhecimento do nosso idioma, de sinônimos a adjetivos, de formas de expressão e descrição são essenciais para uma escrita fluída e prazeirosa de se acompanhar.

E em segundo, eu particularmente odiaria passar informações incorretas nas minhas histórias... adaptar fatos históricos ou através de ficção subverter uma lei da física é uma coisa, mas inventar coisas mirabolantes ou reações impossíveis de se explicar, eu considero uma ofensa a inteligência do leitor.

Por isso, afirmo com toda a certeza que "deus ex machina" é o artifício do escritor preguiçoso e sem criatividade.

Pegarei apenas um exemplo no Mancha Neural... Se Patópolis e Ratópolis ficam em Calisota, próximo a costa, eles estão na região da Califórnia... segundo o livro, Mickey embarcou as 20:00 e desceu em Paris as 15:00 segundo o horário local, após gastar 10 horas de vôo e avançar 9 fuso horários... e é exatamente isso... pesquisado e calculado com exatidão, para justificar ele estar com sono, enjoado e sem fome... 

Mas voltando a Corporação Gaia, o primeiro capítulo "Requiem", conta tudo que houve com Natasha nos dois anos entre o fim do Mancha Neural até hoje, quando ela é convocada para sua nova missão...

De Kiev para a Moldávia... de lá para Côte d’Azur... depois para um templo Budista na Tailândia... em seguida Nepal... Itália... Berlim... Espanha... dois anos viajando, e em cada parada, uma série de detalhes que devem ser expostos, da forma mais realista possivel...

Vamos a sete exemplos  interessantes e 100% verdadeiros:

- De Kiev a Moldávia, uma das formas de viajar é entrando no metrô, no caso dela, na estação Arsenalna, a mais profunda do mundo com 105,5 metros, seguir até o sistema de trens e embarcar em um bólido da Moldovan Railways

- Para se fazer uma plástica, é necessário aguardar a cicatriz original desinchar.

- Em Côte d’Azur, Natasha é convidada para uma festa no Beach Club "Le Club 55".

- Para ir ao Monastério Budista Doi Suthep, um trem saindo de Bangkok em direção ao norte da Tailândia é uma boa pedida.

- A meditação Anapanasati e as regras de conduta no Monastério são reais.

- A altitude dos quatro acampamentos da encosta Nepalesa do Monte Everest são reais. O guia Sherpa avisando sobre as janelas meteorológicas também.

- Em Berlim, o Club der Visionare realmente está as margens do rio Spree.

E mais dezenas de detalhes... e essa é a parte trabalhosa e divertida, pois a cada pesquisa antes de escrever, acabo ganhando algum conhecimento novo.

Sei que a grande maioria não se importa com tamanha precisão, mas eu realmente gosto de pesquisar... e as vezes me surpreendo com alguns resultados, como por exemplo, quando achei uma música chamada "Despre Tine".

Mas isso é conversa para outro dia, pois a história associada a está música é crucial...

Abs e boa semana a todos,

Daniel

domingo, 5 de julho de 2020

Escrevendo Corporação Gaia II - Daphnée Dubois


Daphnée Dubois, francesa, primogênita e herdeira da construtora Dubois, perdeu a mãe aos cinco anos e nunca recebeu a atenção devida do pai.



Já adulta, mas muito jovem, por pressão de alguns setores da alta sociedade, casou, casou e casou... três matrimônios, um mais desastroso que  o outro...

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Mas hoje não... por mais que toda a rotina da casa estivesse perfeita e em dia, o fato de sua patroa e amiga estar deitada no sofá da sala, era motivo de extrema preocupação. E mesmo ela tendo pedido, na verdade ordenado, para ficar sozinha, Louise não aguentou mais e naquele momento, desobedeceu a ordem gritada há pouco mais de uma hora.

Louise caminhou até a sala e tentando puxar assunto, disse:

- Senhora Dubois, precisa de alguma coisa?

- Preciso... ficar sozinha... eu já disse... e não tem ninguém aqui além de nós... você sabe que eu odeio... quando você me chama de senhora... - respondeu ela, com muita má vontade.

- Desculpe querida, é força do hábito... o protocolo...

- Dane-se o protocolo... dane-se o mundo... dane-se a minha vida... me deixa sozinha - ordenou ela, se virando no sofá.

- Não fale assim querida, você já passou por tanta coisa... eu não aguento te ver assim - disse ela, emocionada e chegando mais perto.

- Sim... você viu tudo de perto não é? Mamãe, papai... e o que dizer do trio, qual você acha que foi pior? O abusador, o agressor ou o traidor?

- Sim, eu vi tudo... mas, mesmo com tudo isso, tem uma coisa que eu nunca vi, querida... e isso está me preocupando muito. Eu nunca te vi caída no sofá, sem comer, sem se banhar e chorando... você não está bem...

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E sem querer, seu caminho cruza com o de Natasha Bykov em Berlim... e de uma conversa descontraída no bar, nasceu uma grande amizade...

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E por volta das 21:00 hs, enquanto experimentava uma bebida colorida e engraçada que tinha chamado a sua atenção no cardápio, que ela viu Daphnée entrando pelo acesso principal.

- Daphnée! Daphnée! - chamou ela, bem alto, após se levantar e ao mesmo tempo em que acenava.

- Natasha?! - quase gritou a garota, vindo rapidamente em sua direção.

- Que bom que você veio, eu estava te esperando, senta, senta! - disse Natasha com um sorriso.

- Vous veio parra me verr? Est conseguiu une table? Vous êtes belle - respondeu Daphnée, se sentando e sorrindo.

- Claro... adorei te conhecer ontem e queria falar contigo de novo.

- Je suis là, mon amour... est querr falarr sobrre? - perguntou ela, enquanto acenava para o garçom.

- Qualquer coisa... o que importa e que podemos brindar a vida de novo, não?

- Naturellement...

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E qual será o papel dela na vida de Natasha? O que o destino reservou para as duas amigas? Como duas pessoas tão diferentes poderão confiar uma na outra?

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Após quase uma hora, Natasha acabara de sair do banho, vestindo um roupão fofinho e com uma toalha enrolando o cabelo. E foi ao pisar no quarto, que aparentemente Daphnée se assustou e virou a cabeça em direção a ela, com os olhos arregalados.

- O que foi Daphy? - perguntou ela com naturalidade, mas sem receber qualquer resposta.

Natasha tirou a toalha e enxugou os cabelos, quando insistiu na pergunta: 

- O que foi, coisa?

- Quem é você? - perguntou Daphnée com a voz assustada.

- O que? Que raio de pergunta é essa? - perguntou Natasha, sem paciência para joguinhos.

- Qual é o seu nome? - perguntou Daphnée de novo, de forma estranha.

- Tá bom coisa, vou entrar na sua brincadeira... meu nome é Natasha Bykov... posso saber o que acontece agora? - respondeu ela, sem muito interesse, enquanto continuava a enxugar o cabelo.

- Mesmo? Tem cerrteza... que não é... Mileva Nikolin? - disse ela, tremendo a voz.

Natasha travou. E sentindo uma pequena palpitação enquanto a encarava, respondeu:

- O que você disse?

Daphnée não respondeu, mas seus olhos começaram a se encher de lágrimas.

- Repete o que você falou, Daphy - disse Natasha, começando a andar na direção dela.

- Non! Non! Fica longe! - disse ela, tremendo todo o corpo. Ao estender o braço, fazendo sinal para ela não se aproximar, Natasha viu seu passaporte na mão dela.

- Por que você pegou meu passaporte?! - quase gritou Natasha, dando um passo forte em direção a ela, apenas para parar no segundo seguinte.

- NON! FICA LONGE! - gritou ela, desesperadamente - Se não chamo polícia! Fica longe de mim!

Natasha percebeu naquele instante que faltava apenas uma pequena gota para Daphnée surtar, já que ela estava apavorada e não raciocinava direito. Ela teria que ter muita calma e pior ainda, acalma-la.

- Tudo bem, estou longe... não vou fazer nada... você sabe que eu nunca faria nada contigo - disse ela, parada e com a voz mais calma possível.

- Non! Você mentiu prra mim! Igual todos! Eu nem sei seu nome! Eu sou uma idiota! Só sirrvo prra serr enganada! - falou ela, agora, desabando a chorar.

- Daphy, desculpe minha reação, mas eu nunca menti pra você... você acompanha minha vida, sabe meu nome e sabe no que eu trabalho... 

- Mentirra! Quem é você de verrdade? Diga-me.

Natasha respirou fundo, realmente Daphnée tinha razões por estar desconfiada, mas hoje, ela saberia de tudo.

- Daphy, eu sou Natasha Bykov, moldaviana, filha de Anton Bykov e Ileana Bykov, pertenço a uma linhagem aristocrata que foi dizimada durante a guerra contra a URSS. Vivi todos os anos da guerra no castelo Peterhof, fui assessora do príncipe quando ele retornou do exílio, trabalhei na KGB até o fim da guerra fria, depois me tornei agente da CIA. Eu sou Natasha Bykov, a mulher que nunca mentiria pra você.

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domingo, 28 de junho de 2020

Escrevendo Corporação Gaia I - O Fim de Nova Patópolis

Agora que já escrevi mais da metade (21 capitulos de 40) da minha derradeira história da Disney, acho que posso comentar um pouco sobre a mesma.




Acredito que eu seria um péssimo escritor de gênero único, pois para mim, a diversão é explorar formas e possibilidades, e após cada uma delas, quero mudar para outra.

Se vermos "Nova Patópolis", com seus quatro livros, temos uma história que valoriza o flashback e interliga os personagens com situações e reações parecidas... eu lembro quando comecei, que eu queria algo ao estilo "Lost", tanto que no último tomo, nós vemos o futuro.

Aí mudei tudo e veio o Mancha Neural, uma história de ação ininterrupta, onde a cada capitulo, o leitor tem acesso a um minuto da parte final.

Foi divertido escrever algo frenético, controlando cada aspecto de data e hora da história, mas faltou um detalhe. Exceto o Mancha Negra, que ganhou muito destaque já que na Disney não existe qualquer citação a seu passado e motivações, eu não tive tempo de aprofundar as relações e as interações entre os personagens, incluindo aí minha nova personagem favorita, Natasha Bykov.

E para minha última história, quero mudar de novo... claro que haverá ação, perigo em escala global, a volta de alguém em um papel completamente inesperado, um novo antagonista maníaco, cruel e totalmente psicopata, suspense, discussões, relacionamentos amorosos, etc, etc, etc...

Mas o FOCO principal da história, é a vida, os sonhos e objetivos de uma única pessoa.

Eu quero aprofundar Natasha Bykov o máximo possível, mostrando sua infância, suas reações e pensamentos durante as missões ao redor do mundo e seu relacionamento mal resolvido com Mickey, que a princípio era de extrema má vontade, mas que mudou para admiração, gratidão e muito mais.

Ao mesmo tempo, Minnie não aguenta mais ser enrolada, o que já estava demonstrado desde o Mancha Neural... e agora, que Natasha voltou e pretende levar Mickey para uma missão que pode se mostrar  extremamente perigosa?

E o que Mickey poderá fazer ao ser confrontado com um dos mais antigos e terriveis segredos da humanidade?

E quando Mickey notar que Natasha representa a vida aventureira e emocionante com a qual ele sempre sonhou? E quando Natasha notar que Mickey representa a vida tranquila e cheia de amor que ela nunca teve? O que sentimentos tão opostos e antagônicos podem desencadear?

É isso... meu próximo e último Nova Patópolis mostrará a busca por redenção de uma mulher que já perdeu tudo uma vez e agora precisa desesperadamente por um sentido na sua vida....

Eu até montei uma capa provisória (mas que tem tudo a ver com a história), e aguardem por mais informações de "Corporação Gaia".