quarta-feira, 12 de maio de 2021

Lançamentos da semana: Almanaque Disney, Gasparzinho e vários Gibizinhos

Olá

Lançamentos da semana em AGibiteca.


  • Gasparzinho 66, de Sapo do Brejo;
  • Gibizinho do Chapolim, da Xuxa e da Turma do Arrepio, de Alcides Ota;
  • Almanaque Disney 110 e Um presente Chambinho 4, dos Esquilos.
E mais: Almanaque do Tio Patinhas 11, Almanaque do Zé Carioca 7, Disney Especial Reedição 40, Mickey 488, TV Colosso 1 e 2, Ursinho Pooh  05, Mickey 330, Garfield Leva o Bolo, Margarida 131, Zero Eterno 1 e 2 e Eureka 1.

Boas leituras
AGibiteca

domingo, 9 de maio de 2021

Após o Horizonte - Capítulo VIII - Invólucro


Após o Horizonte
Capítulo VI
II - Invólucro


- Tudo começou há muito mais tempo do que seria possível medir ou definir... se formos mensurar de forma humana, meu povo existe há muitas centenas de milhões de anos do seu tempo.

Essa primeira frase me assustou um pouco... se ela estiver falando a verdade, eu não tenho a menor noção de quem é a pessoa deitada na minha frente... se é que é uma pessoa.

- Mas como não temos contato com vocês? Onde vocês estão? - perguntei após uma longa respiração.

- Imagine que meu povo vive em outro plano, outra dimensão ou como preferir definir, mas a maior diferença entre nós duas é que neste plano, não existe a matéria como você a conhece... basicamente somos entidades sencientes, formadas de energia em sua forma mais pura, em um ambiente fluído que eu não teria como explicar em termos humanos.

- Meu... Deus... - balbuciei realmente assustada.

- E existíamos em paz, sem necessidades físicas como alimento, água e descanso... e também não conhecíamos emoções, sensações ou desejos. Mas nossa existência perfeita sofreu um abalo, quando há muito tempo, um evento de magnitude  cósmica reverberou daqui até nossa dimensão. Não sabemos ao certo se foi um conjunto de super novas ou uma colisão de buracos negros, só sabemos que este evento foi tão violento que quebrou a barreira do espaço-tempo deste universo e chegou ao nosso plano, interrompendo nossa tranquilidade ao indicar, sem sombra de dúvidas, que existia algo além de nós mesmos.

- Incrível - balbuciei.

- E uma parte do meu povo teve sua primeira emoção, a curiosidade... e foram estes que passaram a tentar fazer contato e entender o que era este outro plano no qual seu universo está incluído. E após muito tempo e muito esforço, os primeiros de nós conseguiram vencer a barreira dimensional e chegar aqui, no ambiente material. Na realidade, chegaram em um ponto remoto, longe de tudo, o que os fez retornar imediatamente.

- Então você pode ir embora a qualquer momento? - questionei um pouco angustiada.

- Sim... no tempo de uma piscada, eu posso não estar mais aqui - foi a resposta dela, com tanta calma e frieza, que senti um incômodo frio na barriga.

- Mas voltando... após essa primeira incursão frustrada, muito mais tempo se passou até aprendermos como escolher o local onde deveríamos aparecer... e também quais locais valiam a pena visitar. Como não sabíamos nada desse universo de matéria, começamos em planetas com formas de vida mais simples... só microorganismos unicelulares, só plantas, só animais irracionais... queríamos entender o conceito da vida material, antes de fazer contato com uma raça inteligente. Resumindo tudo, somente há cerca de sete mil anos do seu tempo é que decidimos que era hora de fazer contato com sua espécie, uma das raças inteligentes de seu universo.

- E existem outras? – perguntei assustada.

- Inúmeras, mas isso não importa agora. Por diversos motivos irrelevantes para você, escolhemos a sua.

- Mas como... vocês se parecem conosco? - perguntei, tentando não enlouquecer com tudo isso.

- Isso demandou um bom tempo também... como já estávamos estudado a vida material há muito tempo, aprendemos a concentrar parte de nossa energia em um invólucro físico, que poderia conservar a nossa consciência. Temos controle total de tom da cútis, tamanho, força, movimento e outros itens. Os únicos detalhes que não podemos controlar bem é a textura que fica em contato com sua atmosfera ou que a troca de energia gere calor.

- Por isso você é tão macia... e quente...

- Sim... e isso foi muito útil quando fizemos contato com seus antepassados e nos identificamos como "visitantes"... não demorou muito para sermos vistos como deuses, não importava o local ou povo, sempre éramos deuses, e recebíamos nomes e definições conforme nossas preferências sobre as sensações.

- Preferências?

- Sim... um dos nossos pode preferir sentir a emoção da batalha, outro a sensação de saciedade alimentar... eu por exemplo, adoro sentir a paixão, o prazer, o sexo e a geração da vida...

- Tarada...

- Como assim?

- Nada não... mas... isso tudo que você me contou, significa que você não é mulher, digo, você não tem um sexo definido.

- Tem razão, não temos sexo ou gênero e podemos assumir qualquer corpo a qualquer momento. Mesmo porque, biologicamente falando, a única diferença entre um corpo masculino e um feminino é um par de cromossomos, o restante vem de influências ambientais e do processamento químico de seus cérebros.

Eu preferi não entrar em detalhes ou perguntar outras coisas sobre isso, por medo de que poderia ouvir, mas faltava um detalhe que ela não explicou.

- Entendi, mas você... você sempre veio como mulher, digo, você só assume corpos femininos, por que essa preferência?

- Já disse, minha preferência é a geração de vida, o sexo e o prazer... e estes itens são mais facilmente associados as mulheres. Os do meu povo que preferem coisas mais agressivas, batalhas, heroísmo e coisas assim, assumiram corpos masculinos. Tentamos nos adaptar ao que a sua sociedade mais antiga entendia como "normal". Mas há exceções é claro, como alguns de nós que alternam de corpo ou até assumem dois gêneros no mesmo corpo.

- Tá... - foi o que consegui balbuciar, considerando a loucura disso tudo.

- O resto você já viu mas esqueceu... após algum tempo, sempre algum dos meus começava a incitar a violência, a morte e a guerra... aí voltávamos para nossa dimensão... e tentávamos em outro local somente para acontecer de novo, de novo e de novo. Por isso, há cerca de mil e quinhentos anos do seu tempo, decidimos que nunca mais apareceríamos em grupo. Se algum de nós quisesse vir, viria sozinho e evitaria ao máximo o contato com os humanos.

- Mas eu te vi...

- Sim, eu estava tão concentrada admirando o Reino Unido, que me distraí por um momento e você me viu... após um humano nos ver, não conseguimos mais nos esconder dele. Eu já estava naquele banco há vários dias e em uma janela de poucos segundos você me viu, para o bem ou para o mal.

- Por isso o sujeito achou que eu estava sozinha - pensei comigo mesma para completar admirada:

- Você estava mesmo olhando para o Reino Unido?

- Sim, eu consigo projetar minha consciência e enxergar qualquer coisa em qualquer local... claro que depende de concentração total, mas o horizonte não é um limite para nós. Eu estava admirada como o Reino Unido mudou desde a última vez em que estive lá há milhares de anos.

- Mas... por que você está aqui? O que veio fazer aqui?

- Creio que o mais próximo que vai definir minha motivação é que eu fiquei entediada... e queria conhecer este continente do seu mundo. Sempre estivemos do outro lado do oceano, mas eu queria saber como é aqui.

- E você não sabia que eu estava te vendo... por isso só reagiu quando eu te toquei.

- Sim... não podia entender como você podia estar me vendo, mas imediatamente comecei a sincronizar com suas emoções... por isso fui fria, insensível e grosseira, ao mesmo tempo em que fiquei interessada e curiosa.

- Puxa, obrigada... notei que entre suas infinitas qualidades, a sinceridade é a maior de todas - respondi com ironia.

- Não se ofenda Alice, por favor.

- Não estou ofendida, sei que é verdade.

- Então basicamente é isso... tem mais alguma pergunta, ou posso voltar a te tocar?

- Espera! Se você começar não vai parar... tenho sim mais algumas perguntas - respondi rapidamente, ao mesmo tempo em que tentava não pensar na excitante proposta desta... coisa.

- A vontade.

- Como você me curou?

- Sabemos como o processo de cura de vocês funciona, então canalizamos nossa energia para ele e o aceleramos... isso também possibilita recriar dentes ou até membros. Só não podemos devolver a vida que já cessou de existir.

- Incrível... mas você quase me matou também.

- Eu avisei que perderia o controle, você que insistiu em correr o risco.

- Sim... mas, neste corpo em que você está... você nunca sentiu realmente como é ser... humana? Digo... você não consegue sentir fome, frio ou... sede?

Neste momento Brigit se calou... já estou acostumada que as vezes ela reflete antes de responder alguma coisa, então só me restava esperar. E desta vez... demorou quase três minutos, para finalmente ela responder um tanto incomodada:

- Na verdade... após estudar vocês todo este tempo, conseguimos criar dois tipos de invólucro... este, imperfeito quanto a textura e calor, mas que pode ser invisível aos olhos humanos e que permite o retorno a minha dimensão a qualquer momento... e outro... que não ousei criar.

- Não ousou?

- Eu... não vi motivos para faze-lo... o outro... é... perfeito demais.

- Como assim? - questionei realmente curiosa.

- Alice, não há motivos para falarmos sobre isso... não vai acontecer - foi a resposta, mais incomodada ainda.

- O que não vai acontecer? - insisti, para só receber uma resposta após outro minuto.

- Muito bem, o outro invólucro possível é um corpo humano perfeito... com órgãos, necessidades alimentares e sem qualquer poder... quem o utiliza tem a experiência completa e se separa do meu povo... e o pior é que eu não poderia voltar para minha dimensão a não ser que minha consciência seja desvinculada.

- Como assim?

- Não importa Alice! – quase gritou - Não importa como eu poderia voltar para meu local de origem, pois nunca vou assumir um corpo humano... creio que já chega de perguntas, não é? - foi a resposta dela com muita raiva, um instante antes que sua mão direita agarrasse meu pescoço.

- Brigit... calma... - balbuciei assustada. Sua mão apenas segurava sem apertar, mas isso me fez lembrar que ela poderia me matar facilmente em um instante.

- Chega de perguntas! Eu quero lhe tocar, aproveitar sua companhia e você está me fazendo perder tempo - disse ela com raiva. Eu não sei como, mas havia tocado em algum ponto sensível.

- Por favor, calma... me solta... - implorei, olhando nos olhos dela. E por algum motivo, ela tirou a mão.

- Perdoe-me Alice... as vezes eu não me controlo... eu... não sei porque...

- Tudo bem... tudo bem... - respondi arfando. Ela não tinha me machucado, mas foi um belo susto - Eu só tenho mais uma pergunta, na verdade, a mais importante de todas... e depois... serei toda sua.

- Certo... pergunte.

- Você... você disse... que reflete meus sentimentos... sincroniza com minhas emoções... que é empata... mas... também disse que era normal eu estar atraída por você... que sabia que eu voltaria... eu... eu preciso saber se...

- Se?

- Se... isso que estou sentindo por você... essa paixão... é verdadeira ou... - hesitei em concluir a pergunta, talvez por medo da resposta.

- Ou?

- Ou você está me induzindo? Eu realmente me apaixonei por você... ou é algum truque mental ou físico? Eu te amo ou você está me fazendo acreditar nisso para seu próprio benefício?

Curiosamente ela não demorou para responder e ainda abriu um sorriso:

- É verdadeiro, você realmente me ama... e por isso é tão delicioso. Na realidade, estar perto de alguém do meu povo tende a liberar amarras e libertar sentimentos reprimidos dos humanos... você queria amar alguém mas não conseguia... mas comigo, você se soltou e seu amor aflorou... é só isso.

Eu não acreditei no que ouvi... eu realmente estava amando esta... coisa... e também devo estar enlouquecendo, pois minha reação foi tão rápida quanto irracional.

- Brigit... eu te amo... eu te amo tanto... - falei, abraçando rapidamente aquele corpo irresistível, quente e macio. E a única coisa que consegui fazer em seguida foi afundar a boca no pescoço dela enquanto fechava os olhos.

E foi nesta posição que amei e fui amada pelas próximas horas, de uma forma tão intensa e única como nunca imaginei ser possível.


sexta-feira, 7 de maio de 2021

Lançamentos da Semana - Renato Canini, Mangás & Mangás

Prezados, 

Neste semana lançamos a conclusão da coleção do grande Renato Canini, com os volumes 8, 9 e 10.



Mais a continuação dos Mangás Monster, Rayert e Citrus... Kenshin volta no próximo post com o cronograma dos próximos lançamentos. Também trazemos um novo One-Shot Yuri Mangá, Kimi Koi Limit... abaixo a sinopse e algumas cenas...



Kimi Koi Limit é um Yuri mangá com uma bela e dramática história de amor pendente...
Sono confessou amar Satomi, mas ela a rejeitou e depois se mudou para Tókio. Muitos meses se passaram e agora Sono está vivendo também em Tókio, num apartamento compartilhado com sua nova namorada, Hiroko. Porém, Sono não consegue se esquecer de Satomi e ao ficar com Hiroko, chama pelo nome dela. Com raiva, Hiroko a expulsa de casa, e sem ter para onde ir, Sono passa a viver na rua, dependendo de um mendingo para comer.
Sua situação muda quando Satomi a reencontra e a acolhe em sua casa por pena. Mas Hiroko trabalha com Satomi e ao descobrir onde Sono está (muito feliz por sinal) tentará uma reaproximação, algo que gerará diversos problemas...









Também o terceiro Artbook do site Zero Baunilha... E a continuação da coleção da Penthouse na área restrita.



Abs e bom final de semana a todos.

domingo, 2 de maio de 2021

Após o Horizonte Capítulo VII - Paixão


Após o Horizonte
Capítulo VII - Paixão


Assim que o dia clareou, acordei um pouco confusa no meu 14° dia de férias, tateando a cama a procura da bela, macia e quente aparição da noite anterior... e obviamente ela não estava lá. Demorou um pouco para minha cabeça se localizar, parecia que eu tinha acordado de um sonho.  Um longo, inexplicável e delicioso sonho... mas eu estava nua, e nunca durmo sem ao menos uma camisola.

Eu havia sonhado? Brigit não havia estado lá? Ela não tinha me mostrado um monte de coisas? Neste instante tive uma sensação estranha... eu sabia que tinha visto muitas coisas, mas não me lembrava de quase nada, só lembrava das coisas que ela falou... Isis, Afrodite, Amaterasu, Freyja... ela era várias deusas antigas... mas foi tudo um sonho? Será que estou ficando lou...

- Dormiu bem, Alice? - foi o que ouvi, ao mesmo tempo em que gritei de susto.

- Vo... cê... você... quando vai parar de aparecer assim? - reclamei ao mesmo tempo em que sentava na cama com o coração acelerado e a via se aproximar.

- Perdoe-me, mas o dia está tão bonito que decidi ficar lá fora... e agora já estou de volta - foi a resposta com um sorriso, enquanto se sentava na cama, usando o mesmo vestido de alça de sempre.

- Como vou explicar uma ruiva que entra e sai do meu chalé sem passar pela recepção? - perguntei, ainda brava pelo susto.

- Fique tranquila, só você tem o privilégio de me ver - foi a resposta da forma mais natural possível.

- Privilégio... ser ignorada, maltratada, me arrebentar, quase ser morta, achar que enlouqueci, ter uma obsessão doentia por você... se esta lista inteira é um "Privilégio", imagino o que você considera um aborrecimento - foi minha resposta extremamente sincera, pois acredito que havia cansado da sua arrogância.

Talvez Brigit não esperava ser tratada assim... ela silenciou e pareceu refletir por quase um minuto, para só então responder enquanto se levantava da cama:

- Tem razão, como sempre meu povo só traz o mal para vocês... você só queria descansar e por minha causa quase se afogou, depois eu quase te matei, e após tudo isso você passou vários dias com uma dor terrível. Eu peço desculpas, irei embora e não retornarei mais.

- Não, espera! Não foi isso que eu quis dizer - quase gritei, enquanto me levantava e a abraçava - Falei sem pensar, não quero que você vá.

- E como sempre, os humanos ignoram nossas falhas e imploram pela nossa permanência... este comportamento é previsível e se repete há milênios, sabia?

Esta foi a gota... todo o incômodo com a arrogância dela havia atingido seu ápice agora. Eu soltei o abraço, virei meu braço para a direita e lhe desferi uma bofetada com toda força. Ela parecia não acreditar no que fiz e cambaleou um passo para trás com a surpresa, ao mesmo tempo em que colocava a mão no rosto. Já eu... bom... não sou uma pessoa tranquila quando estou com raiva.

- QUEM VOCÊ PENSA QUE É? SE REALMENTE FOR VERDADE QUE NÃO É HUMANA E ESTÁ AQUI HÁ TANTO TEMPO, COMO NÃO CONSEGUIU APRENDER ALGO TÃO ELEMENTAL?

- A... prender o que? - perguntou ela baixinho, ainda com a mão no rosto.

- VOCÊ NÃO RESPEITA OS SENTIMENTOS DE QUEM GOSTA DE VOCÊ. VOCÊ DESPREZA, IGNORA E DESDENHA DE QUEM GOSTA DE VOCÊ. ISSO NÃO É ALGO QUE ALGUÉM "SUPERIOR" DEVERIA FAZER - continuava gritando, sem nem saber porque estava tão alterada.

Acredito que a fiz refletir, pois ela me olhava de uma forma engraçada... mas no fim, nunca poderia esperar a resposta que veio na sequência:

- Tem razão Alice, mas considerando que tudo isso que você disse, é exatamente o seu comportamento com todas que gostaram de você, não entendi o motivo de tanta raiva. Eu apenas te tratei de forma similar a como você trata as outras pessoas.

Essa resposta, associada a calma em sua voz foi como um murro direto no estômago. Sim, eu era uma pessoa horrível com quem gostava de mim, como poderia esperar outro tratamento? Um pouco desorientada virei as costas para ela, caminhei até a cama e deitei-me, abraçando um travesseiro. E nesta posição, algumas lágrimas começaram a brotar.

Mas antes que a primeira lágrima caísse na cama, senti o corpo de Brigit me abraçando. E como pude notar sua pele delicada e quente por meu corpo todo, ela também estava nua. Na realidade, havia uma luta interna na minha cabeça para sair daquele quarto, correndo e gritando, mas teimei e permaneci, mesmo assustada.

- Não foi minha intenção lhe ofender, Alice... por favor, me perdoe novamente - sussurrou ela quase no meu ouvido, o que fez eu me arrepiar toda.

- Desde quando você se importa? Até ontem parecia um iceberg, e hoje... está falando macio, me chama de Alice, me abraça... qual é o seu problema? - questionei, sem admitir o quanto estava adorando seu abraço.

- Meu povo tem conexão com todos os tipos de energia, inclusive a emocional e isso me torna empata em relação a quem está próximo. Eu estou refletindo seus sentimentos, que está mudando de alguém frio e sem consideração para alguém que está sofrendo com emoções intensas e desconhecidas.

- O que você quer dizer, sua... sua... - tentei argumentar, mas me calei e simplesmente virei para ela.

- Quero dizer que você está se apaixonando por mim... e isso é extremamente satisfatório. Você não imagina como é delicioso sentir suas emoções reprimidas aflorando - respondeu ela, sorrindo e alisando meu rosto.

- Reprimida é seu rabo, sua arrogante... eu devia te bater de novo - balbuciava, sem saber o que falar.

- Mas não vai... na realidade, você vai me beijar, iremos nos tocar e ficaremos fazendo isso por horas.

Após essas últimas palavras, me rendi... segurei a cabeça desta linda e gostosa arrogante e a puxei com força em minha direção... os lábios dela eram meu único desejo naquele momento, e o prazer que senti quando seu corpo começou a emanar calor, era algo indescritível.


Três dias depois...

Havia acabado de acordar no meu 17° dia de férias... incrível como não conseguia esquecer desta maldita contagem regressiva em direção ao 20° dia.

Tirando este detalhe, posso dizer que nunca, nunca, nunca em toda minha vida estive tão feliz. Talvez ficar três dias enfiada no quarto, transando com a Brigit quase o tempo todo, só saindo da cama para comer algo e ir no banheiro (duas coisas que ela não fazia), era realmente o que eu precisava fazer nestas férias. Mas mesmo meu corpo estando animado e sedento pelo calor dela, o cansaço começou a me dominar, fora um detalhe que começou como um pequeno incômodo, mas que agora estava piorando rápido.

- Alice? Está tudo bem? - perguntou ela delicadamente. Outro item que estava me deixando feliz era notar que a cada dia, Brigit me tratava melhor, o que segundo ela, era uma simples consequência de meus próprios sentimentos. E isso retornava ao incômodo anterior.

- Sim, só estou cansada, muito cansada na realidade - respondi, parando de abraça-la.

- Só isso? - disse ela, colocando o braço em cima de mim.

- Lá vem você de novo... quer me deixar animada para continuarmos? - perguntei com incredulidade.

- Mas é claro, agora fique quieta um pouco - disse ela, começando a esquentar. E o ritual se repetiu, meu corpo formigou, não pude me mexer e alguns minutos depois ela parou e voltei ao normal. E o cansaço desapareceu como se nunca estivesse presente.

- Pronto Alice... agora se quiser, você pode me tocar de novo, de todas as formas e o dia inteiro... você ainda deseja meu corpo, não é verdade? - sussurrou ela de forma manhosa.

Eu odeio admitir, mas a voz dela, apenas a voz, fazia meu coração acelerar, as pernas tremerem e o pior de tudo, me deixava extremamente excitada. Mas neste exato instante, me segurei com todas as minhas forças e falei o que queria falar já há alguns dias.

- Sim... eu desejo muito seu corpo... mas... eu... eu...

- O que foi Alice? Seu corpo me diz que você deseja o meu... ou vai negar e precisarei comprovar isso? - disse ela com um sorriso malicioso enquanto aproxinava sua mão.

- Tá, tem razão... mas espere um minuto, por favor - pedi, afastando a mão dela. Se fosse tocada por um segundo, eu não conseguiria falar e nem pensar em mais nada - Eu preciso perguntar uma coisa, por favor... e depois, eu serei toda sua, o dia todo... por favor.

- Tudo bem Alice. O que você deseja saber? - perguntou ela, um pouco antes de começar a dar mordidinhas no dedo indicador que eu tinha acabado de afastar do meu corpo. Claro que esta cena quase me fez desistir de falar qualquer coisa... eu só pensava em beijos, amassos e no calor dela o tempo todo, mas agora teria que resistir, por mais difícil que fosse.

- Quando você apareceu aqui, disse que se eu quisesse, me contaria a verdade sobre o seu povo, sobre quem você é de verdade... e eu preciso saber... eu... eu confesso meus sentimentos por você... eu nunca senti nada igual... eu preciso saber quem ou o que é você, por favor.

Brigit olhou para mim com um sorriso... diferente... e após alguns segundos, comentou:

- Claro Alice, você tem todo o direito de saber, vou te contar tudo... mas depois, quero morder muitas coisas, não apenas meu dedo.

- S-sim... - respondi, me segurando mais do que nunca... ela era irresistível, sua voz, seu corpo... mas eu precisava saber quem era esta mulher, não, esta coisa pela qual estava loucamente apaixonada.

- A história é muito longa, mas vou tentar resumir ao máximo... tudo começou...

Sim, finalmente eu saberia de tudo e poderia viver plenamente esta loucura que se apossou do meu coração... ou não.